Mostrando postagens com marcador contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador contos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de março de 2010

TE AMO.


Te amo em todo canto,
em cada momento,
a cada instante,
em cada silêncio.
Te amo em cada lamento,
mesmo num sepultamento,
num momento feliz,
numa noite triste e fria.
Te amo, esse é o meu canto,
que canto no meu canto
buscando no canto do meu coração
exprimir o canto d'alma.
Te amo, infelismente, te amo.
Te amo, te amo, te amo.
Te odiando, mesmo assim
continuarei te amando.

SOLIDÃO.



O sol hoje perdeu seu brilho,
O céu a sua cor,
O beija-flor não deixou o ninho
E o fruto negou seu sabor.
Será apenas impressão ou
essa é a real mensagem do
meu coração que
sofre com a solidão.



SONHO BONITO.


Te procuro, mais não te encontro,
nosso reencontro será no futuro.
Por isso vivo a vida por becos sem fim,
a te procurar, sem te encontrar.
Mais um dia quando te encontrar,
nunca mas vou te largar.
Um beijo em sua boca irei dar,
do seu corpo desejos intensos desfrutar,
acarinciar seus cabelos até o dia raiar,
e então desse sonho bonito poderei acordar

MAR DE SOLIDÃO.


Meu amor,
Já não consigo esconder o que sinto por você,
não sei se é amor ou apenas atração,
mas com um toque da paixão tudo pode acontecer.
Eu te amo, isso nunca te neguei,
deve ser pela certeza que um dia morrerei por esse
sentimento que por culpa sua não desfrutei.
Por culpa sua me perdi num mar de solidão,
em pensar que é tão ruim
sofrer por essa paixão.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ÚLTIMOS DIAS AO LADO DE MEU PAI

Ainda lembro-me daqueles dias insólidos passados no interior daquele hospital em Belém com meu pai. Ele vitima de diabetes com um ferimento do pé direito em decorrência de complicações da doença, o pé esquerdo havia sido amputado anos antes por complicações da mesma doença.

Foram dias terríveis aqueles, começou com a ida na ambulância, nunca sacodi tanto em minha vida, ao chegar o que ouvi do motorista me chocou.

- Olha vou te dizer uma coisa, se teu pai morrer fica tranqüilo viu? Eles têm assistente social aqui, e o necrotério possui um espaço para conservar o corpo no gelo até ser transportado para a cidade de onde veio.

Meu pai chegou lá semi-consciente, estava de olhos abertos, entretanto não se mexia, não falava, nem sequer me olhava quando eu o chamava, e o desespero começou a tomar conta de mim, eu estava vivendo algo que antes eu assistia nos telejornais regionais. Estava vivendo o descaso, o abandono, a superlotação. Meu pai foi simplesmente medicado e jogado no corredor, eu tive que ficar em pé por dois dias e uma noite, com a promessa de que assim que um leito do andar superior fosse desocupado seriamos transferido para lá.

Nas duas noites em que estive no corredor choveu. Meu pai sentia muito frio, e dois lençóis não foram suficientes, então joguei todas as roupas em cima dele a fim de mantê-lo aquecido e eu fiquei sem nada apenas protegido pelas minhas roupas. Isso aconteceu por duas noites até que no terceiro dia fomos transferidos para o quarto. Ao chegar ao quarto tive uma péssima surpresa, eu teria que continuar em pé, no entanto consegui uma cadeira e nos dias que se seguiram meu genitor melhorou consideravelmente.

Já estávamos lá há cinco dias, e por volta das 10h30min da manhã eu fui comer algo na feira que tinha atrás do hospital, já que a comida do hospital não tinha sequer gosto. Ao voltar ouço gritos vindos do quarto dele, fiquei louco e corri ate o quarto o mais rápido que pude, ao chegar à porta mais um choque, papai estava completamente fora de si, gritava com a enfermeira, perguntava o que estava fazendo ali, quem o havia levado para aquele lugar.

Entrei no quarto, ela, a enfermeira olhou para mim com olhar de reprovação.

- O que você esta fazendo aqui, não pode entrar.

- É meu pai – respondi- sou o acompanhante dele.

- Então você não deveria ter saído daqui – ela disse brava- olha como ele ta, totalmente fora de si, não se lembra de nada, isso é falta de açúcar no sangue hipoglicemia, eu tenho que aplicar esse injetável nele.

Aproximei-me, ele gritou ainda mais que antes.

- Sai daqui, eu não te conheço, eu quero ir pra minha casa, onde é que eu tô, quem me trouxe, cadê a Salete? Cadê?

- Mamãe ta em casa pai.

Eu chorei enquanto me aproximava, como choro agora ao escrever essa crônica, e disse:

- Sou eu pai, o Dário seu filho, vem dá sua mão, a enfermeira vai lhe dar um remédio pro senhor melhorar e lembrar de tudo.

Ele se negou dizendo:

- Eu não te conheço, eu não vou deixar não.

Nesse momento levantou a mão para me agredi, segurei firme sua mão, ele pareceu se assustar, me olhou dentro dos olhos e disse:

- Dário? É você meu filho?- e eu desabei, ele me puxou para si tentando me abraçar também chorando- eu t e amo meu filho, eu te amo, você é o filho do meu coração, fruto do meu amor.

Eu não entendi nada apenas chorei, a enfermeira muito menos, aplicou o medicamento dizendo:

- Só pode ser brincadeira, reconheceu o filho ao segurar a mão dele, isso é demais pra eu entender, inacreditável.-logo em seguida saiu nos deixando sozinhos.

Foram cerca de dez dias que ficamos naquele pronto-socorro em Belém, e eu cuidei do meu pai com todo amor e dedicação que pude dar, me doei. Levei-o ao banheiro, ajudei-o a tomar banho, e muitas vezes o limpei como ele fez comigo quando eu era apenas um bebê. Foram nesses momentos que eu entendi a relação pais e filhos. Ao nascer os pais cuidam dos filhos, quando os pais envelhecem os filhos devem cuidar dos pais, e foi o que fiz, e faria de novo se fosse necessário.

Voltamos á Paragominas no dia vinte e cinco de fevereiro de 2007 e dois dias depois eu presenciei a morte do meu pai, o homem que me amou incondicionalmente, que se doou por mim, que segurou na minha mão quando eu era pequeno, que me ajudou a levantar quando eu cai, me deu conselhos, puxou minha orelha, me pôs de castigo e me fez entender que amor não é ser omisso, dar carinho e afeto, é sim disciplinar, corrigir e mostrar o caminho certo á seguir. Com tudo isso seus ensinamentos me ensinaram a crescer e amadurecer e me tornar o homem que sou hoje, e por tudo eu agradeço a Deus que me proporcionou horas sofridas naquele hospital, mas que foram as mais marcantes da minha vida e me possibilitou continuar ao lado do meu pai.

Foi um velório simplório em minha casa, muitos amigos, familiares, vizinhos. Os dois dias que se seguiram foram nublados e chuvosos como minha alma. No enterro me despedi dele, não como se não fosse vê-lo nunca mais, me despedi com um até logo papai, depois nos veremos no céu, nos abraçaremos, e viveremos eternamente adorando ao rei Jesus.